Deuses senzares
Existem duas versões principais da religião senzar. A mais conhecida em Atlântis, oficialmente adotada pelas instituições imperiais da Atlântida, é um politeísmo tradicionalista, cujo núcleo é o culto de muitos deuses, principalmente Muchan, deusa da bondade; Varja, deus do Oceano e protetor especial de Atlântida; Quachar, deusa da justiça humana e fundadora das dinastias atlantes, Fôntis, deusa da fecundidade, Kedlon, deus da fertilidade, Dotlas, deus da astúcia, Tloi, deusa das preces e orações; Kinem, deusa do prazer e da riqueza; Tlika, deus da coragem, do dever e da guerra; e Karmo, deusa da prudência e da sabedoria.
Já em Armenelos, capital do reino federado de Mnéseas, encontra-se o núcleo de uma religião mais filosófica e monástica, cujo núcleo é a busca do Tau, o caminho abstrato da harmonia entre Jo (princípio masculino) e Am (princípio feminino), por meios dos quais se controla o Kes, poder místico da magia e da vida.
Mu
Princípio abstrato do vazio, do qual nascem Temu e Denfu, segundo Atlântis, ou surgem Am e Jo, segundo Armenelos.
Temu
Em Armenelos, simples representação simbólica do princípio feminino Am. Em Atlântis, deusa da terra, mãe de Ra’an (segundo marido, com quem teve a deusa Ghindon e os deuses Pasfad, Ghesod e Ralci) e esposa de Denfu, com quem teve a divindade hermafrodita Tau, os deuses Ra’an, Varja, Gútis, Kukio, Kaltlam, Dotlas e Kedlon e as deusas Sanin, Fôntis, Tline, Vóris, Minzin e Muchan.
Denfu
Em Atlântis, deus do céu e esposo de Temu; em Armenelos, simples representação simbólica do princípio masculino Jo.
Tau
Em Armenelos, princípio abstrato da harmonia cósmica entre os princípios Am e Jo e centro de sua religião. Em Atlântis, deus hermafrodita da completude e equilíbrio, primeiro filho de Temu e Denfu. Identificado pelos kharis com Anshar e pelos tlavatlis com Oshumare.
Tline
Em Atlântis, deusa da ordem cósmica e das leis da natureza, seduziu Ralci, filho favorito de Ra’an e o desviou do caminho do caos para se tornar um paladino da ordem.
Ralci
Em Armenelos, espírito divinizado do sábio fundador de sua religião. Em Atlântis, deus da correção e do equilíbrio, filho de Temu e Ra’an, rebelou-se contra o pai para se tornar o marido de Tline e guardião e protetor de Tau.
Ra’an
Em Armenelos, mero símbolo da negação do Tau. Em Atlântis, deus dos vagalhões, dos furacões, do caos, da guerra injusta e da destruição, segundo filho e segundo esposo da mãe Temu, que apesar do seu papel geralmente maléfico na mitologia, tem um papel vital na renovação periódica e catastrófica do universo.
Pasfad
“O Branco”, filho de Temu e Ra’an, deus do nada, dos mortos, dos vazios e dos abismos. Identificado pelos acaios com Hades.
Ghindon
Filha de Temu e Ra’an, esposa de Pasfad, deusa do mundo inferior e das criaturas monstruosas, identificada pelos acaios com Perséfone.
Muchan
Primeira esposa de Varja e deusa-mãe das águas doces e da vida eterna, identificada pelos acaios com Tétis, pelos kharis com Mullitu e pelos tlavatlis com Yemoya. É mãe do deus Rebvo, casado com Vóris (ler adiante) e das deusas Tloi, casada com Dotlas (ler adiante) e Kupas, casada com Ghesod (ler adiante). Deusa da bondade, do amor e da compaixão, tem o poder de ressuscitar os mortos e de conferir a invulnerabilidade, a imortalidade e mesmo a divindade a seus protegidos. É também a criadora e senhora das ninfas das águas ou ondinas.
Varja
Também chamado Arjo em algumas regiões e contextos, é entre outras coisas o deus dos mares e de seus habitantes, por isso identificado pelos acaios com o Poseidon ou Oceano, pelos kharis com Ea e pelos tlavatlis com Olokun. Também é deus dos vulcões, do movimento e do crescimento e o senhor dos dragões do mar.
Quachar
Humana chamada de Cleito pelos acaios, segunda esposa de Varja, mãe de Atlas e fundadora do clã Quachar, ao qual se filiam todas as dinastias atlantes, transformada pelo poder de Muchan em deusa da sabedoria e da justiça humana após sua morte. Supõe-se que seu espírito se encarna nas imperatrizes de Atlântida (que são as irmãs mais velhas, não as esposas dos imperadores).
Atlas
Filho primogênito de Quachar e Varja, ancestral mítico da dinastia imperial da Atlântida, cujo espírito se supõe encarnar em todos os imperadores de Atlântida.
Kupas
Filha de Varja e Muchan, deusa das jóias e da beleza, mãe de Ared.
Ghesod
Deus dos milagres, filho de Denfu e Ra’an, afastou-se do pai caótico sem chegar aos extremos de Ralci: tornou-se o autor de intervenções divinas que violam a ordem cósmica de forma benigna.
Ared
Deusa do arco-íris, da presteza e da velocidade, principal mensageira dos deuses junto aos humanos, identificada pelos acaios com Íris.
Minzin
Deusa da noite, dos astros e das constelações, às vezes também chamada Sêmia, mãe de Derder e Zinzin. Criadora e senhora das ninfas do ar, ou sílfides.
Gútis
Esposo de Minzin, deus do céu noturno, da astrologia, da verdade e dos juramentos, senhor dos dragões.
Derder
Deusa dos animais selvagens, da camuflagem e da invisibilidade, identificada pelos acaios com Ártemis, mas que não é uma deusa virgem e sim a esposa de Rebvo.
Rebvo
Filho de Muchan e Varja, também chamado Tareb; deus da caça e marido de Derder, identificado pelos tlavatlis com Oshosi e pelos acaios com Órion.
Zinzin
Deusa das estrelas cadentes, da sorte e do acaso, identificada pelos acaios com Tique, mãe de Sisso.
Báqüer
Deus da experiência, da paciência e da maturidade, filho de Sózin e Kukio (ver adiante) e marido de Zinzin.
Sisso
Deusa da magia e da feitiçaria, identificada pelos acaios com Hécate, pelos kharis com Ereshkigal e pelos tlavatlis com Yansan. Solteira, teve relações com quase todos os deuses do panteão, dando origem a deuses menores que são padroeiros das diferentes artes mágicas.
Sanin
Deusa da luz e da razão, também chamada Sanno, mãe de Derjom, Védrio e Súqua e esposa de Kaltlam. Criadora e senhora das ninfas do fogo, ou salamandras.
Kaltlam
Esposo de Sanin e deus do dia e da percepção, também chamado Káltis e Ventlos, senhor das fênices.
Derjom
Deus do Sol e da intuição, casado com as irmãs Védrio e Súqua, identificado pelos acaios com Hélios.
Védrio
Deusa da lua maior, da reflexão e da clarividência, irmã e esposa de Derjom, identificada pelos acaios com Selene.
Súqua
Deusa da lua menor, das artes práticas, do artesanato e da forjaria, irmã e esposa de Derjom, identificada pelos acaios com Eos.
Fôntis
Deusa da fecundidade, das montanhas e das florestas, esposa de Kedlon e mãe de Sanci, criadora e senhora das ninfas da terra, ou dríades.
Kedlon
Deus da virilidade e da fertilidade, marido de Fôntis e pai de Sanci, senhor das esfinges.
Sanci
Deus da embriaguez do vinho e do amor e da renovação das estações e das gerações, identificado pelos acaios com Dioniso e pelos kharis com Tammuz.
Sózin
Deusa da saúde e da longevidade, mãe de Báqüer, Nengin e Dentar e esposa de Kukio.
Kukio
Deus do tempo, da permanência e dos ciclos universais, marido de Sózin.
Nengin
Deus da força, do atletismo e da juventude.
Dentar
Deus dos ventos.
Tloi
Deusa mensageira dos homens junto aos deuses, encarregada de ouvir suas preces e encaminhar aos demais deuses – principalmente a mãe Muchan, o marido Dotlas, os filhos Kinem, Tlika e Karmo e o pai Varja – aquelas que julga dignas de atenção. Mãe dos irmãos Kinem, Tlika e Karmo, que se casaram entre si.
Dotlas
Deus da ousadia e da astúcia, casou-se com a sobrinha Tloi, filha de Muchan e Varja. Identificado pelos hiperbóreos como Odin e pelos acaios como Hermes.
Kinem
Deusa do prazer, da riqueza e do conforto, casada com Tlika. Identificada pelos acaios com Afrodite, pelos tlavatlis com Oshun e pelos hiperbóreos com Freyja.
Tlika
Deus da coragem, do dever, da guerra justa e do trovão, casado com as irmãs Kinem e Karmo. Identificado pelos acaios com Zeus, pelos tlavatlis com Shango e pelos hiperbóreos com Thor.
Karmo
Deusa da liberdade, da previsão e da sabedoria, casada com Tlika. Identificada pelos acaios com Atena. Em Atlântis, Karmo é considerada a criadora do primeiro ser humano, o hermafrodita Kadmon, junto com o irmão e esposo Tlika e pela irmã Kinem. Karmo deu da sua saliva e do seu leite e fez a cabeça e a mente, Tlika deu do sangue de seu braço e do sêmen e fez o peito, os braços, as pernas, o órgão sexual masculino e a vontade, Karmo deu do seu sangue menstrual, de suas secreções vaginais e de suas fezes e urina e fez a barriga, os órgãos sexuais femininos e o desejo. Muchan e Varja, encantados e divertidos com a criatura de seus netos, deram-lhe, respectivamente, a alma e o ânimo e fizeram dela um ser vivo, mas Ra’an, temeroso e despeitado, matou Kadmon, cortando-o ao meio. Karmo, indignada, suplicou por ajuda à mãe Tloi, que intercedeu junto à avó Muchan e a Fôntis e Kedlon. Muchan não podia, segundo a lei divina, desfazer o que Ra’an tinha feito, mas pôde ressuscitar as duas metades separadamente; Fôntis concedeu à metade feminina (Nova) a fecundidade e Kedlon deu à masculina (Foghi) a fertilidade, dando origem aos ancestrais da espécie humana e dos atlantes.
Nova
Primeira mulher, segundo a mitologia de Atlântis, casada com Foghi e divinizada, após a morte, como deusa da coleta de vegetais silvestres (ensinada por Fôntis).
Foghi
Primeiro homem, segundo a mitologia de Atlântis, marido de Nova e divinizado, após a morte, como deus da caça e da pesca (ensinadas por Rebvo).
Fadda
Primeira filha de Nova e Foghi, divinizada após a morte como deusa da medicina, das parteiras e da educação de crianças (ensinadas por Karmo).
Sannu
Primeiro filho de Nova e Foghi, divinizado, após a morte, como deus da agricultura, da criação de animais e do fogo (ensinados por Karmo).
Uluci
Primeiro neto de Nova e Foghi, divinizado, após a morte, como deus da escrita e da filosofia (ensinadas por Karmo).
Vóris
Deusa do pensamento, da criatividade, das artes, da música e da história, também chamada Kitas, é solteira mas teve relações com quase todos os deuses do panteão atlante, das quais nasceram os deuses e deusas menores das artes, das filosofias e das ciências, identificados pelos acaios com Apolo e as Musas.